Coloquei 8 anos de exame numa IA e tomei um susto!
E recebi um alerta urgente de saúde.
Há alguns meses, tive uma ideia simples: e se eu juntasse tudo que sei sobre meu próprio corpo num único lugar?
Esse talvez seja um experimento hipocondríaco, já adiantando aqui e esse artigo não foi escrito por IA.
Exames de sangue espalhados em clínicas diferentes, resultados de eletrocardiogramas guardados em pastas físicas e no próprio site dos laboratórios, dados de treino no relógio. Histórico de cirurgias. E também dados do SUS (via eGOv tem tudo de vacina e etc).
Se formos pensar bem, nossos dados de saúde estão todos espalhados:
hospitais;
farmácias;
laboratórios;
clínicas médicas;
SUS;
smartwatches;
planos de saúde e etc.
Quem desses, tem o dado consolidado e pode dizer quem você realmente é, biologicamente falando?
Fiz um pedido simples para o Claude: “Crie um painel online onde eu possa colocar todos meus exames, cirurgias, medicamentos e dados de treino — me mostre alertas quando algo aparecer fora do normal, crie também análises, gráficos e me aponte melhor forma de ler esses dados.”
Em 15 minutos, estava no ar o que passei a chamar de BioScan.
Por que fiz isso?
Todo médico que visito faz uma leitura do momento, eles analisam apenas uma fotografia.
Só meu cardiologista e meu urologista — que me acompanham há anos — conseguem olhar para um padrão, perceber uma tendência e dizer: “esse número estava igual há três anos”. O restante dos profissionais médicos começa do zero toda vez. Eu queria ter, pela primeira vez, uma visão de filme. Não de foto.
Fui juntando tudo via portal dos hospitais e laboratórios: 85 exames feitos ao longo de 8 anos. Eletrocardiogramas. PSA, testosterona, colesterol — com histórico real, não só o último resultado. Dados de sono e treino do Garmin®, medicamentos, cirurgias, vacinas… tudo!
O BioScan que o próprio Claude montou, aceita os arquivos direto dos laboratórios — sem adaptação nenhuma. E já transforma tudo em gráficos, comparações e alertas automáticos.
E tem mais, todos os exames estão centralizados (todos arquivos num único lugar), o que facilita bastante.
O susto — e o alívio
Quem procura, acha.
Em março deste ano, o BioScan acendeu um alerta vermelho num dos meus exames recentes. Mandei o acesso para minha médica. Ela viu, analisou o histórico completo, perguntou se eu tinha alguns sintomas (eu afirmei que não) e disse:
“Melhor repetir esse exame, o quanto antes.”
Refiz. Era um falso positivo — algo momentâneo, sem gravidade (ufa). Mas o sistema havia capturado um possível padrão que necessitava de uma cirurgia, urgente.
No final, sem sintomas, o único que viu esse padrão fora do normal foi o BioScan.
Sobre a importância dos dados e leitura do próprio sintoma
Recentemente, o investidor e triatleta Pedro Cerize sentiu uma recuperação estranhamente lenta depois de um Ironman. Fez um check-up completo. Resultado: tudo normal. Mas o relógio dizia outra coisa. O HRV — uma medida de variabilidade do coração que os smartwatches monitoram — estava fora do padrão. A insistência do Pedro, combinada com esse dado do Garmin®, levou a exames específicos que identificaram um problema coronário. Foi tratado a tempo. Era grave.
O dado estava no pulso. Sempre esteve. Faltava alguém olhar para ele com atenção.
Pode parecer exagero juntar tanta coisa num lugar só e talvez seja mesmo um pouco de hipocondria exacerbada. Mas fiz como um experimento pessoal mesmo e fiquei um tanto chocado com a qualidade das análises e da organização dos dados.
O BioScan ainda não é completo — não registra dieta (nem os vinhos que eu tomo), nem um comprimido tomado esporadicamente.
Ferramentas usadas: Claude, Github Pages, Google Drive.
Deixo aqui, o arquivo em html pronto do BioScan para download, se alguém quiser fazer pessoalmente esse experimento e usar o Claude para ajudar no desenvolvimento.
Minha esposa Vanessa me ajudou nesse experimento (S2).



