IDwall vendida por mais de R$450 milhões!
Um ensaio sobre investimento anjo e assistir o capítulo final. (Valor apurado de fontes)
Eu investi na IDwall em 2016 e fui um dos primeiros investidores juntamente com o Paulo Silveira (Alura) e Bruno Yoshimura (OneVC) e recentemente, a empresa foi vendida por mais de R$450 milhões.
Foi meu primeiro investimento anjo.
Lá atrás, o Lincoln, o Rapha e o Renan (co-fundadores dessa empresa) eram muito jovens e tinham apenas um esboço do protótipo que iriam desenvolver para um aplicativo. Eles prometiam fazer uma solução de faceID para atender a nova geração de brasileiros digitais. Inclusive, seria essa a primeira tecnologia para cadastros digitais de apps, bancos digitais, marketplaces e afins.
Se você abre uma conta digital via celular hoje em dia, você deveria agradecer à IDwall. Conto mais.
Sobre beber água limpa e paranóias de fundadores
A IDwall foi a primeira empresa a desenvolver essa tecnologia e mudou o Brasil. Hoje, quando colocamos a face num app de banco para confirmar uma transação ou para abrir uma conta, parece algo trivial… mas em 2016 não era.
Dez anos atrás, abrir uma conta digital sem ir à agência ainda era exceção. Validar a identidade de alguém remotamente era um problema técnico enorme. A IDwall ajudou a criar a infraestrutura que permitiu que os primeiros bancos digitais, fintechs e marketplaces nascessem e escalassem com segurança.
A IDwall mudou tudo.
Empresas brasileiras acabam usando muita tecnologia “gringa” e ter um case desses, deeptech mesmo, sendo feito aqui no país e exportando tecnologia para fora, é algo para se admirar. É raro.
Mas os pioneiros sempre acabam pagando mais pela inovação, gastam mais tempo, dinheiro e "saliva” para evangelizar o mercado. Mas, alguns deles também bebem água limpa.
Não tenho como elencar o tanto de porrada que a IDwall levou do mercado, por ser a primeira a colocar essa tecnologia no Brasil.
Um monte de empresas entrou nesse setor, algumas "pivotaram” seu negócio, dezenas sumiram e vi alguns "copycats” tentarem ganhar vantagem, com soluções muito parecidas ou com uma quantidade de capital maior.
Para mim, um negócio de alto impacto tem três coisas inegociáveis:
segurança;
obsessão pelo cliente;
a cultura da empresa.
Raramente vi uma empresa se dedicar tanto a desenvolver um produto tão robusto e com tanto foco no cliente. Aprendi bastante com essa visão dos fundadores e tive muita sorte (mas muita mesmo) em estar entre os primeiros investidores. O Lincoln, inclusive, me ajudou a ter uma visão de produto mais sólida, sobre a minha empresa à época.
Inclusive levei a IDwall para a Locaweb, quando eu estava por lá.
Um dos maiores aprendizados sobre inovação que tive tem a ver com esse investimento. Fundadores "paranoicos” com o produto, frios na tomada de decisão e que antecipam movimentos de mercado, são imbatíveis. É quase uma profecia autorrealizável mesmo:
“Fundadores que chegam um passo antes de necessidade de mercado e que tenham paciência acabam sendo premiados pelo mercado".
Mas sem romantizar, é raro encontrar empreendedores assim.
Last dance a sorte que todos precisam
Há dois anos, numa rodada Série C, fundos compraram uma parte dos investidores anjos e eu vendi minha maior participação, mas aconteceu algo muito inusitado: o Lincoln pediu para eu continuar com uma participação e ficar até o final dessa jornada, que se encerra agora, com a venda para a Serasa.
Há cerca de 45 dias começaram a circular notícias sobre a Serasa comprar a IDwall e algumas pessoas me procuraram para eu comentar. Não podia citar nada porque o CADE ainda precisava aprovar a operação. Esse texto é um pouco para isso… agora podemos falar.
Esse pequeno relato, sobre investimento anjo, pessoas extraordinárias e pioneirismo é só para reafirmar que o mercado sempre acaba premiando os paranoicos. Especialmente aqueles que chegam antes.
A venda da IDwall, é uma das transações mais importantes para o nosso ecossistema de tecnologia e reforça que tem coisa grande para se fazer no Brasil.
Outros artigos sobre:
IDwall faz acordo com Serasa em transação milionária.




Sou testemunha dessa saga vitoriosa. Rodrigo nos apresentou a IdWall para incrementar o processo de onboarding quanto ao kyc da área de credenciamento do antigo Aceita Fácil (Aceita) da Facilitadora de Pagamento da Vindi.
A operação (de ambos) estava bem no começo mesmo…não tinha nenhum front end ou integração.
As consultas eram feitas na “mão grande” em algum https. Além de nos apoiar nas principais consultas e verificações, a intenção também era pra “estressarmos o sistema”, fornecendo críticas e sugestões, para aperfeiçoamento do produto. Sucesso absoluto.
O sucesso da implantação dos processos de credenciamento Aceita (Vindi) x Idwall, referente a PLDFT, KYC e de monitoramento, durante a minha gestão, computou apenas 10 tentativas de fraude em 3 anos de operação, numa carteira de mais de 1000 clientes, 100mil boletos liquidados/mês e quase meio bilhão de reais processados, sem nenhum prejuízo ou diferença computada.
Parabéns ao Lincoln, ao Rodrigo, e a toda as ex e atual equipe Vindi e Idwall. O de quer que estejam, sucesso sempre !!!